Santa Luzia é a principal festa popular religiosa do Rio Grande do Norte. Sua procissão de encerramento, em 13 de dezembro, reúne 130 mil devotos.

A cada ano,  aumenta  a participação de romeiros de municípios do RN e  de estados vizinhos.  

Milhares de vozes de todas as idades entoam  refrão do hino popular da Padroeira de Mossoró e da Diocese: "Ó Santa Luzia, pedi a Jesus, que sempre nos dê, dos olhos a luz".

 No adro da Catedral, foi introduzida na programação o espetáculo Oratório de Luzia, com duração de 45 minutos, revivendo o martírio de Santa Luzia, por atores de grupos teatrais de Mossoró.

Mossoró e a Padroeira

Os primeiros sesmeiros da Região Oeste, nas ribeiras do Apodi, Mossoró e Upanema, quando aqui se instalaram, trouxeram   devoções e santos protetores. Já no primeiro quartel do século XVIII, terras da ribeira do Upanema, a uns trinta quilômetros de Mossoró, foram concedidas aos Freis Carmelitas do Recife, que ali construíram uma residência e uma pequena Capela do Carmo. Havia, também, um Sítio ou Fazenda "Santa Luzia", e ao lado se construiu uma pequena ermida, entre os Paredôes e Barrocas (hoje bairros da cidade), onde   realizavam atos religiosos.

O proprietário da "Fazenda Santa Luzia", sargento-mor Antônio de Souza Machado, português residente em Russas, Ceará, requereu ao visitador diocesano de Olinda, Pe. Inácio de Araújo Gondim, de passagem por Aracati, autorização para erguer uma capela em homenagem à Virgem de Siracusa. Fazia cumprir uma promessa de sua esposa D. Rosa Fernandes, no qual foi atendido, em sua petição com data de 5 de agosto de 1772. Existia, porém, uma condição: que o templo fosse construído em pedra e cal e houvesse um patrimônio em terras doada à Santa.  Exigências aceitas e  providências tomadas,   em janeiro de 1773 a capela estava pronta, construída com os cruzados de Souza Machado e o auxílio dos devotos circunvizinhos, no  local onde hoje se encontra a Catedral de Santa Luzia,  mas sem a imagem da Santa. Até que em 1779, D. Rosa Fernandes traz de Portugal uma imagem de Santa Luzia, em madeira, adquirida pelo valor de 25$600. É a que até hoje é conduzida nas procissões e peregrinações.

Santa Luzia nasceu em Siracusa em 281 da era cristã, descendente de  família patrícia e abastada. Sua mãe, Eutíquia, era uma nobre matrona que a educou na fé cristã. Naquela época, o cristianismo  ia triunfando lentamente sobre o mundo pagão.  Era uma época em que defender a fé, caracterizava risco mortal.

Luzia,  moça bela, rica e herdeira única de fabulosa fortuna,  logo despertou o interesse dos jovens de sua época, particularmente de um rapaz pagão  que se  dizia apaixonado. Mas ela, havia se consagrado totalmente a Deus pela renúncia do amor carnal, das paixões terrenas e da vida conjugal.

Naquela época, Diocleciano, imperador romano, havia instaurado a 10ª perseguição contra o cristianismo nascente. Para os cristãos não restava outra escolha a não ser sacrificar-se aos deuses e ao imperador, ou o martírio.

Rejeitado por Luzia, o  pretendente valeu-se do decreto imperial que ordenava a perseguição aos cristãos, como instrumento de vingança, e a denunciou ao prefeito de Siracusa, Pascásio, que não perdia tempo em fazer algo para agradar ao imperador. Presa, Luzia negou-se a render culto aos ídolos.  Irritou o Prefeito Pascásio que a condenou a pena capital. No dia 13 de dezembro do ano de 304, era decapitada.  Foi o seu "dies natalis", o dia do seu nascimento, como a Igreja denomina, na vida dos santos, a data em que nascem para a vida eterna.