Prefeitura Municipal de Mossoró

 

 

 Pré-estréia do Chuva de Bala acontece nesta quarta-feira com novidades

 

13 de junho de 2006

 

 

 

Um dos pontos de destaque na programação do Projeto Mossoró Cidade Junina, o espetáculo Chuva de Bala no País de Mossoró terá a pré-estréia nesta quarta-feira (14/08) no palco armado no adro da Igreja de São Vicente, local da resistência dos mossoroenses ao bando de Lampião. Dirigido por João Marcelino, o espetáculo terá a participação de 54 atores. Ao todo, a peça ao ar livre envolverá a participação de 250 pessoas.

O espetáculo terá este ano à participação de 100 crianças do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI). É sob a ótica e o imaginário destas crianças, que o espetáculo será contato. A produção terá ainda a participação de integrantes do Tiro de Guerra 07-010, além de produtores e equipe de apoio. O espetáculo será encenado dias 13 (pré-estréia), 14, 15, 16, 17, 18, 22, 23, 24, 25, 28, 29 e 30.

Para este ano, a Prefeitura Municipal montou uma super-estrutura para o Chuva de Bala. O público terá melhor acomodação com a construção de uma arquibancada móvel com capacidade para 500 pessoas. Foram montados camarotes para equipes técnicas, jornalistas e autoridades presentes ao espetáculo, que estreará oficialmente na quinta-feira, às 21 horas.

CIDADELA – Ao lado da Igreja de São Vicente, a Secretaria da Cidadania montou a Cidadela Junina, lembrando aspectos urbanísticos e arquitetônicos da época da invasão do grupo de Lampião à cidade. A Cidadela contará com restaurantes e espaços culturais. No período do Chuva de Bala, a Cidadela receberá a presença de cantores da terra, que também se apresentarão no palco do espetáculo, antecedendo à encenação.

 

A HISTÓRIA E O ESPETÁCULO

Manhã de 13 de junho de 1927. Mossoró mobilizada contra o bando de Virgulino Ferreira, o Lampião. Hoje, às vésperas dos 80 anos do confronto, as marcas da luta dos mossoroenses, pela liberdade, ainda podem ser encontradas na Igreja São Vicente, na avenida Alberto Maranhão, Centro, local do feito histórico. E, é, o adro da própria capela de São Vicente, palco de encenação do “Chuva da Bala no País de Mossoró”. O espetáculo, produzido desde 2003, com elenco de atores mossoroenses, dramatiza os principais atos do confronto.

A Capela de São Vicente ganhou fama inesperada. Na manhã de 13 de junho de 1927, com a mobilização da cidade contra o bando de Virgulino Ferreira, o Lampião, a sua única torre ficou crivada de balas. E, hoje, às vésperas dos 80 anos do ataque, com a  primeira derrota do cangaceiro, ainda podemos encontrar as marcas da batalha.

Esse fato integra o consciente coletivo da população e é uma marca da luta, pela liberdade, do povo mossoroense. E não é por acaso que atualmente é um sinal de bravura. Afinal, quem seria capaz de bater o pé a um bando de homens armados e fugitivos da lei, em plena década de 20 do século passado?

Mossoró foi capaz, e teve esta ousadia. Afugentou o bando, negou-lhe os 400 contos de réis, se protegeu e, ainda, retirou das mãos de Lampião dois cangaceiros: Colchete e Jararaca. Este último foi preso na Cadeia Pública, atual Museu Municipal Lauro da Escóssia e enterrado no Cemitério Público, e hoje seu túmulo é venerado porque o cangaceiro é tido como milagroso. Durante a década de 50, para relembrar o ato heróico, foi montada na cidade uma peça teatral com as principais personagens do acontecimento. Dava-se o primeiro passo para a sedimentação do teatro na cidade.

Mais ou menos 25 anos depois da primeira montagem teatral, Mossoró se vê novamente olhando para o seu passado e pensando no futuro. Em 2002, (re) surge um espetáculo que, por si só já é um belo diferencial: o cenário. De frente à capela de São Vicente, é encenado o “Chuva de Bala no País de Mossoró”, dirigido pelo renomado diretor Antônio Abujamra, e em comemoração dos 75 anos da invasão dos cangaceiros.

Devido ao sucesso alcançado no primeiro ano, e atendendo ao apelo popular, o “Chuva de Bala...” retornou no ano seguinte, 2003, sob a direção do talentoso diretor potiguar João Marcelino. E não parou mais de crescer.  “Hoje é quase impossível falar do Mossoró Cidade Junina e não fazer referencia ao ‘Chuva de Bala’”, observa a produtora Toinha Lopes. Realmente, o espetáculo cresceu e ganhou uma proporção não-inimaginada, com forte destaque na mídia nacional.

Parte desse sucesso deve-se ao diretor João Marcelino. É a opinião da produtora Toinha Lopes e, também, da protagonista da história, a atriz Tony Silva, que faz o papel de “contadora da história”. Elas vêem no diretor Marcelino, com sua pesquisa e sua poética, um diferencial. “Quando João Marcelino começa a falar do evento, notamos que é um espetáculo diferente”, afirma Toinha Lopes.

 

 

EXEMPLO DE PROFISSIONALIZAÇÃO

Orgulhosamente, Mossoró pode afirmar que é uma das poucas cidades que se destacam, nacionalmente, pela arte. Pela magia de fazer com que as pessoas sonhem. E o teatro é a força motriz dessa engrenagem.

Só o “Chuva de Bala...” leva três meses de intensos ensaios. Com essa intensidade, e com o intercâmbio de experiências, ora com o diretor, ora com atores de outros centros, os atores mossoroenses têm crescido do ponto de vista artístico.

“Hoje, creio que, pela primeira vez, temos grupos profissionais de teatro, em todos os sentidos”, afirma a produtora Toinha Lopes. Em Mossoró, a maioria dos grupos tem toda uma estrutura, como CNPJ, sede própria e o mais difícil, e, que é mais importante, vivem somente do teatro. “Os atores têm compromisso, sonham junto com a sociedade. Quanto mais você ensaia, mais bonito fica o espetáculo”, diz a atriz Tony Silva.

O diretor do espetáculo, João Marcelino, faz a apologia do processo de profissionalização do teatro da cidade. “É como um bater de asas de uma borboleta, é uma construção que tem no ‘Chuva de Bala’ um forte veículo a mais, a luta não foi em vão”.

 

 

O CENÁRIO DA PEÇA

O cenário do espetáculo é perfeito e atraente: o adro da Capela de São Vicente, local da batalha de 1927. As quatro mil cadeiras à disposição do público são confortáveis. Para completar o quadro, foram implementados, em 2004, dois projetos paralelos, que fortalecem o espetáculo como alternativa aos eventos da Estação das Artes.

O primeiro foi à música popular brasileira antes da encenação. No local da apresentação da saga mossoroense contra o bando de Lampião, há treze shows, um a cada dia do Chuva de Bala. São artistas locais e regionais, que prolongam seu show na rua, ao lado da Capela São Vicente, no melhor estilo voz e violão.

O outro projeto é a criação da cidadela. Uma réplica de dez casas de Mossoró da década de 20. Uma mescla de cenografia e recriação. Cinco dessas casas funcionam durante os 13 dias de apresentação. O Sebo, uma bodega de comidas típicas juninas, tapiocas, sarapatel e pirão. Um bar com as diversas marcas da cachaça nordestina e uma loja de biscuit, souvenir e artesanato, tudo com motivos do cangaço. As demais casas integram o cenário da cidadela. Há o xilindró, nome popular da cadeia pública, banheiro de ‘hômi’ e de ‘muié’, uma igreja de Santo Antônio para as preces ao santo casamenteiro, uma casa típica com varanda, e mais doze moldes dos principais personagens do ataque do bando de Lampião a Mossoró, para fotografias turísticas.

Todo ano tem uma modificação na cidadela. Para 2006 a novidade fica por conta da decoração com motivo nacionalista, visando a Copa do Mundo de futebol. Mas, o organizador Joãozinho Escóssia já manda o recado: “Em 2007, ano de comemoração dos 80 anos da invasão traremos muito mais novidades para a cidadela. Temos a nossa pequena fortaleza mais forte do que nunca e mais atrativa ainda”.

Tudo isto vem reforçar o caráter da diversidade cultural do “Mossoró Cidade Junina”. Um evento que cresce a cada ano e se consolida cada vez mais no calendário turístico nordestino.

 

 

CRONOLOGIA DO ESPETÁCULO

2002 – Surge o espetáculo Chuva de Bala, em comemoração dos 75 anos da invasão de Mossoró pelo bando de Lampião.

2003 – O espetáculo realizado no adro da Capela São Vicente mantém os mesmos moldes do ano anterior. Contrato do diretor João Marcelino

2004 – O “Chuva de Bala” cresce. A parte musical conta com mais de quatro  mil cadeiras para o público.

2005 – Mantêm-se a proposta e a aprovação do público relativas ao formato do evento

2006 – Participação das crianças do PETI, e estimativa de uma arquibancada. João Marcelino permanece na direção.

 


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